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segunda-feira, 22 de junho de 2009

.apenas o fim.


Um filme de nerds para nerds. Foi o que eu ouvi no nerdcast. Confesso que isso me deixou curiosa o bastante para querer assistir.
Depois soube que o filme foi feito na raça por um estudante de cinema e com os equipamentos da faculdade. Tudo isso porque ele precisava fazer o filme e o equipamento não poderia sair da faculdade. E o mais glamouroso de tudo. Ainda recebeu premiações.

Bem, então eu fui assistir, num destes cinemas de gente de calça xadrez.
Devo dizer que saí surpresa. O filme foi ainda melhor do que eu esperava. O filme trata de um fim de relacionamento. Na verdade, não apenas do fim. Ele mostra os diversos pedacinhos que constroem um relacionamento.

Logo na primeira cena, o diretor, Matheus Souza, já diz com imagens qual vai ser o clima do filme. A cena em que eles começam a conversar no inicio do filme, com aquelas sombras bem marcadas, dão um tom de quadrinhos. Tudo muito bem desenhado.
Apenas o fim é um filme brasileiro, bem diferente dos que estamos acostumados a ver. É um daqueles filmes em que não acontece nada. Não retrata nenhum sortilégio no sertão nem é uma comédia global (deixando bem claro que não tenho nada contra esses gêneros). Mas isso não faz com que ele deixe de mostrar algumas coisas bem verde-amarelas. Como a parte em que ele fala do Pão de Açúcar, Itabuna ou dos sites nerds.

Você sai do filme pensando em fazer coisas legais. Posso dizer que é um filme bem inspirador.
Bom. Acho que é isso. Recomendo!

Para quem ainda tem dúvidas, o trailer.


PS: Vale a pena esperar até o fim dos créditos. ;)


domingo, 24 de maio de 2009

Audaciosamente indo aonde... muitos já estiveram.

Há muito tempo que não assistia a um filme de ficção científica e fico feliz em dizer que Star Trek quebrou esse jejum como quem vai a uma churrascaria depois de meses de dieta.

O pessoal da academia de cinema geralmente não entrega prêmios para filmes desse tipo, os que levam as estatuazinhas são filmes com maior dramaticidade, argumento com o qual concordava bastante até sair daquela sala de cinema. Voltei pensando que emoção depende do público que está assistindo ao filme e, assim, Star Trek deveria levar vários prêmios, pois ouvir "Eu fui e sempre serei seu amigo" mais uma vez foi como jogar uma bomba de nostalgia em qualquer fã. Justamente as duas cenas que mais me cativaram não foram cenas de ação, mas dois diálogos breves que têm uma carga emocional bastante grande, entre [spoiler] o Spock do futuro e o jovem Kirk e outra entre o Spock do futuro com ele mesmo. Podem parecer cenas até bobas que, para quem não acompanhou os outros filmes, passa batido. Mas J.J. Abrams soube pegar nos pontos certos de quem assistia a série.

No geral, o que mais me chamou a atenção foram os detalhes. A caracaterização dos personagens foi muito bem feita, é possível acreditar que aqueles personagens que estão na tela são os mesmos personagens que mais tarde estariam na série clássica (deu pra entender?). E como detalhes fazem a diferença, notem que todos os visuais - penteado, roupas - lembram de leve os anos 60, já é uma forma de fazer esse link com o seriado. Mérito também dos atores, que não só tiveram que estudar os personagens antigos, como construir uma versão mais jovem deles. O Spock do filme não é ainda o Spock de Leonard Nimoy, ele ainda estava se formando. Essa criação dos personagens foi muito bem feita. Mais um ponto.

Mas não é só de nostalgia que o filme é feito, o diretor consegue levar o filme inteiro sem apelar para esse lado. Sim, claro que realmente é emocionante ver novamente esses personagens na tela, mas o espectador não se sente vendo algo repetido, e sim uma história nova com os mesmos protagonistas.

Para quem ainda não entendeu, a história se passa, cronologicamente, antes da série dos anos 60, quando os tripulantes da U.S.S Enterprise são ainda cadetes e em suas primeiras missões. É a formação da equipe. Uma grande sacada dos escritores Roberto Orci e Alex Kurtzman e do diretor J.J. Abrams foi começar de novo, isso dá abertura para uma nova franquia de filmes sem comprometer o que já está escrito. Mas Star Trek não é um "begins" como foi Batman, onde todos os outros filmes foram esquecidos, na verdade eles apenas não aconteceram ainda, é uma nova realidade num novo tempo.

Para quem nunca assistiu nada e nem sabe o que significa "Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve", é uma boa maneira de conhecer. E dessa vez com efeitos especiais de verdade. Vida longa e próspera!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Nascidos em Bordéis


E ainda dizem que um pouco de boa vontade e determinação não adianta.

A fotógrafa americana Zana Briski viajou para a Índia, inicialmente, para fotografar a vida das mulheres que vivem no distrito da Luz Vermelha, em Calcutá, conhecida pelo grande número de bordéis.

Sua surpresa foi a de, uma vez naquele lugar, criar laços de amizade com as crianças, filhas das mulheres que trabalham e moram nos bordéis e o foco de seu trabalho tomou outro rumo. Não por motivos profissionais, o documentário mostra claramente que as motivações da fotógrafa Zana não são apenas terminar seu filme e voltar para sua casa quentinha e confortável nos States, mas de mostrar, através da fotografia, uma nova realidade para essas crianças que viveram - e provavelmente continuariam vivendo - suas vidas inteiras naquele gueto, sem muita esperaça de um futuro diferente.

Às crianças do Distrito da Luz Vemelha foram dadas câmeras com as quais elas poderiam fotografar o que bem entenderem. E durante o tempo que Zana permaneceu naquele lugar, os ensinou os princípios da fotografia. Coisas básicas como enquadramento, situação, planos... que pode não parecer, mas é capaz de mudar o olhar de uma pessoa em vários sentidos.

É incrível ver as histórias por trás de cada fotografia, cada enquadramento e clique das crianças. E quem diz que a National Geographic tem os melhores fotógrafos do mundo, deveria olhar o site http://kids-with-cameras.org e ver algumas maravilhas tiradas pelos fotógrafos mirins. Com uma exposição nos States e na Europa e um livro publicado com suas fotos, dá pra perceber que eles não são fracos. Não vou entrar na história de nenhuma das crianças em particular, vou deixar que assistam sintam-se ligados a essas crianças por vocês mesmo e acredite, não é difícil de acontecer.

A grande fascinação do filme não é apenas mostrar uma parte da Índia que sai do estereótipo Ganges, bolinha na testa e "não como vacas", mas entrar à fundo na vida das pessoas que acreditam que a vida é aquela e não há como mudá-la - sendo possível, inclusive, citar vários exemplos de histórias assim aqui no Brasil também - e mais, isso é feito através da fotografia. Para mim esse é o grande ponto da arte, qualquer forma de arte, abrir os olhos das pessoas para algo que não era visto.

Claro que a turma do mimimi também chiou e veio falar que o filme só mostra um lado ruim da Índia, que devia valorizar mais a cultura deles, yada-yada-yada... Mas não liguem pra esses caras, o filme é ótimo, tem em DVD e vale muito a pena. O melhor é que, com tanta coisa sobre a Índia aparecendo na televisão, aqui você não vai ver o Lima Duarte nem o Tony Ramos.

Quem quiser saber mais sobre o filme e os resultados de todo o trabalho da fotógrafa Zana Briski e do diretor Ross Kauffman pode entrar no site http://www.kids-with-cameras.org/bornintobrothels e conferir não só as fotos das crianças de Calcutá, mas também suas repercussões em vários cantos do mundo.

Nascidos em Bordéis (Born Into Brothels: Calcutta's Red Light Kids)
Direção de: Zana Briski e Ross Kauffman
Ano de lançamento: 2004

Vai uma palhinha das fotos aí.