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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Peru - Parte 3

Terceira e última parte sobre a minha viagem ao Peru. A viagem começou por Lima, capital do Peru, seguindo para Cuzco – principal cidade dos Incas – e arredores, Puno, cidade que beira o lago Titicaca. De lá seguimos para Arequipa e em seguida Nazca, Ica e de volta a Lima.


A cidade branca

Não, não é Gondor, mas Arequipa também é conhecida como a cidade branca. Isso é devido ao fato da cidade estar posicionada em uma região vulcânica, mais precisamente entre três vulcões (que ainda não estão extintos). A maioria das construções da cidade são feitas com pedras vulcânicas que têm cor branca, daí o nome.

Mas Arequipa é a segunda cidade mais populosa do Peru, atrás apenas de Lima, e como toda grande cidade, desfruta de uma melhor infra-estrutura, ams também possui problemas como trânsito e violência. Apesar de não termos passado por nenhum problema, é aconselhável mais cuidado à noite.

Historicamente, a região era ocupada pelo povo Aymara desde o quinto milênio antes de Cristo, até ser ocupada e anexada ao império Inca.

Um dos grandes achados arqueológicos encontra-se no museu da Universidad Catolica de Santa Maria, a múmia batizada de Juanita por seus descobridores. Encontrada congelada em meio às geleiras, a múmia dessa garota Inca de idade estimada entre 12 e 14 anos, é uma das múmias mais bem preservadas já encontradas. Juanita foi um sacrifício Inca feito à Montanha (as montanhas são deuses, lembram-se?), mas o motivo do sacrifício é um mistério.

Os Incas realizavam sacrifícios em nome dos deuses, para pedir chuvas, uma colheita fata etc. Pedidos simples exigiam sacrifícios simples como animais. O sacrifício de uma criança era algo extremamente importante e feito apenas em casos extremos como conter um vulcão em erupção que ameaçaria todo o povo.

Outra grande atração da cidade é o monastério de Santa Catalina, que ocupa uma área de 20.000 metros quadrados, fundado em 1579 e ainda lar de um grupo de freiras. Este, para visitar, é meio salgadinho: 30 soles, e infelizmente não consegui tempo para fazer a visita.


Nazca e Chauchilla

De Arequipa seguimos para Nazca. Essa pequena cidade localizada no meio do deserto possui aproximadamente 20.000 habitantes e, como a maioria das cidades peruanas, vive quase exclusivamente de turismo. A cultura Nazca e Cahuachi, que habitavam a região, sobreviveram até o século VIII d.C. antes mesmo do início do império Inca, mas deixaram uma herança cultural muito grande na cerâmica e tapeçaria.

É aberto para turistas um antigo sítio arqueológico, o cemitério de Chauchilla. Situado nos arredores da cidade, o cemitério tem conservadas múmias e tumbas escavadas e muito bem preservadas. Interessante que o clima seco e desértico preservou muito bem as múmias e os esqueletos a ponto de estes possuírem ainda intactos os cabelos, que não foram deteriorados. Assim foi possível perceber uma característica da cultura Nazca, o tamanho do cabelo definia a classe social de cada um.. quanto maior o comprimento da trança, maior seu status social.

Apesar da região de Nazca ser repleta de áreas de mineração e de ter prata facilmente encontrada, o que mais atrai pessoas (turistas) são as famosas Linhas de Nazca.

As linhas são geoglifos situados no meio do deserto feitos pelos Cahuachi e durante muito tempo.. aliás, até hoje não se sabe muito bem qual era a sua finalidade, mas a teoria mais aceita é que as linhas e desenhos são representações de constelações que marcavam um calendário religioso.

Calendário religioso ou ponto de pouso para ETs, as linhas são fenomenais. Para visualiza-las é preciso pegar um voo no aeroporto de Nazca. Os voos são agendados em qualquer agência de turismo e custam em torno de 100 soles. Meia hora no ar e quase um estômago para fora (aviões monomotores não pressurizados podem acabar com o seu café da manhã, portanto não vá de barriga cheia).

Das diversas figuras, as mais claras (e famosas) são o colibri, o macaco e a aranha, mas é possível identificar linhas e figuras geométricas em meio aos desenhos.


Ica

A próxima e última cidade que visitamos foi Ica. Há 2h de viagem de Nazca, ica é uma ciadade muit melhor preparada para turistas. Dica: melhor hopedarem-se em Ica e pegar um ônibus turístico para Nazca para fazer os passeios do que hospedar-se em Nazca e passear em Ica, como fizemos.

Em Ica foi possível visitar algumas adegas (ou Bodegas, como são conhecidas) de Pisco, ou destilado de uva. Sim, há degustação e depois de visitar (e degustar) 3 bodegas, dá pra sair trançando as pernas. A vantagem do destilado de uva é que pode ser feito com vários tipos de uva e em vários estágios de amadurecimento, o que garante uma variedade muito grande de Piscos. Aromatizados, puros, mesclados etc. Dá para perder o paladar antes de terminar de experimentar todos.


Mas em Ica, certamente a maior atração é Huacachina, um Oasis no meio do deserto. Hoje é mantido artificialmente para atrair turistas, mas não deixa de ser espetacular por isso.

De Ica, retornamos a Lima e depois, de volta ao Brasil. Essa é uma viagemq ue recomendo a qualquer pessoa fazer. Foram 13 dias tão ricos que pareciam dois meses. Apesar do pouco tempo, conseguimos ver e fotografar muita coisa. Dica: dá para se virar muito bem sem precisar de pacotes com aências de turismo, basta ser organizado e fazer um roteiro prévio. Quem estiver interessado em viajar e quiser algumas dicas ou perguntar alguma coisa, pode entrar em contato através dos comentários ou por e-mail.

Alguns Links interessantes:

http://www.walkoninn.com/

http://www.huacachina.com/

http://www.piscoesperu.com

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Peru - Parte 2

Há muito tempo, num continente muito muito distante... mais precisamente no continente asiático, tribos nômades da mongólia atravessaram o estreito de Bering e desceram pelo continente americano até chegarem no local que hoje é conhecido como Peru. Durante os séculos que passaram, as distinções entre as tribos e a miscigenação com povos que já habitavam a região deram origem a diversas culturas espalhadas pelo território peruano mas que mantinham algumas similaridades, entre elas a tecelagem e cerâmica.


Culturas Pré-Incas

Das mais famosas, Paracas, Chavín, Tiwanaku – que mais tarde dariam origem aos Uros e suas ilhas flutuantes – e os Huari, que deve ter sido a mais extensa.

As ilhas flutuantes que mencionei são ilhas artificiais criadas a partir da Totora, uma raiz que cresce no lago Titicaca. Os Uros, que habitam aquela região, para se pretegerem de predadores e ataques de tribs inimigas, à noite dormiam em barcos feitos de Totora. Com o tempo, os barcos foram se ligando uns aos outros até que eles perceberam que poderiam construir uma plataforma com essa raiz e assim as construções foram evoluindo e aumentado até hoje, onde uma ilha artifical pode abrigar 28 famílias.

As ilhas são construídas usando ma massa de raiz da Totora de 1,5m de altura como um tipo de bóia e a Totora seca sobreposta em cima da raiz para fazer um tipo de piso. Lá ainda se fala o Qechua, lingua indígena mais difundida no Peru, mas o Espanhol também é utilizado. Ir de uma ilha a outra em uma canoa de Totora é um passeio turístico que vale a pena e custa apenas 10 soles. Fica a recomendação aqui.


Os Incas

Por volta do ano 1200 d.C. uma das tribos, liderada por Manco Capac começou a expadir seu território a partir da região de Cusco. Com o anexo de diversas tribos à sua prória e a conquiesta de terras, o império Inca estava se estabelecendo e daria um salto gigantesco com Pachacuti, 9º dos 14 governantes que fizeram parte do império.

Os Incas eram um povo bastante religioso e divindades não faltavam. Cusco (ou Qosqo, em quechua) era o centro do império e como não podia deixar de ser, tinha vários templos em seus arredores. O “panteão” era dividido em três pontos: Reino dos Deuses, Reino dos Vivos e Reino dos Mortos. A trindade sempre estará presente na religiosidade Inca, como o Puma, o Condor e a Serpente ou o Sol, a Lua e a Serpente. Se alguém mencionar o templo das 3 ventanas em Machu Picchu, eu vou concordar que não é coincidência. Mas os deuses Incas não eram como os gregos ou nórdicos; eram o que os Incas consideravam sagrados: as montahas, os lagos e a terra, motivo pelo qual todas as montanhas no Peru têm um nome (sim, pessoal, Machu Picchu é o nome da MONTANHA aonde a cidade foi construída, assim como a montanha atrás dela chama-se Huayna Picchu). Surpresos? Eu também fiquei.

Falando em Machu Picchu, Quem for visitar o Peru vai notar que os guias sempre reforçam que os Incas aprendiam as técnicas de construção dos povos conquistados e aperfeiçoavam as deles e por isso é possível notar diversos estilos arquitetônicos lado a lado nas construções. Não pude deixar de lembrar desta matéria do Del Debbio no Teoria da Conspiração sobre as pirâmides e apesar de ele estar se referindo às pirâmides do Egito, a comparação é válida aqui também.

Dêem uma olhada na foto aí do lado. Uma perfeita construção que mescla um estilo rústico de construção, com pedras empilhadas e um outro estilo muito mais refinado, com cortes e encaixes mais precisos. Segundo os guias, eles empilhavam as pedras e quando aprenderam a talhar e polir, refinaram o método, certo? Então por que as pedras refinadas estão POR BAIXO das empilhadas? Há teorias que apontam que algumas construções (as mais refinadas) já estavam construídas no local por uma outra civilização mais antiga e os Incas ao se depararem com essas construções, fizeram uma “reforma” do seu jeito e completaram os pedaços faltando.

É possível notar também que todas as construções de paredes lisas e milimetricamente cortadas eram templos, as outras construções era mais rústicas, outra indicação de que as cidades Incas foram construídas ao redor de ruínas já presentes quando os Incas chegaram.


O Vale Sagrado

A região tem esse nome não por motivos religiosos, mas porque a área ao redor de Cusco é uma das regiões mais férteis do Peru. E como os Incas eram um povo que viviam da agricultura, aquele solo se tornou sagrado para eles por ser um grande fornecedor de alimento. A região montanhosa permite o plantio desde a base até quase o topo e a diferença de temperatura e ambiente causada pela altura faz com que em cada parte da montanha, seja colhido um tipo diferente de milho, mesmo sendo plantada a mesma semente. Já foram catalogados mais de 32 tipos de milho naquela região (dica: não deixem de tomar a “chicha morada” um suco de milho roxo, muito bom!)

As ruínas que visitei no Vale Sagrado foram Sacsayhuamán, Puka Pukara, Q’enqo – templo do Puma e onde realizavam-se sacrifícios e funerais, Tambomachay – templo da água, onde ninguém sabe de onde vem a água que vem do aqueduto construído, Ollantaytambo – forte do general Ollatay e Pisac.

Machu Picchu é quase impossível de ser descrita na mesma sensação que se tem ao visitar. Foi algo como "Indiana Jones encontrando a Arca Perdida". Na falta de palavra melhor, é f***. A cidade inteira foi projetada e planejada. É possível ver as divisões de onde era a área rural, os muros da cidade que separam os camponeses da elite (como um feudo mesmo), os templos e habitações. Imagino qual foi a reação de Hiram Binghan, historiador inglês que decobriu a cidade tomada pela vegetação em 1911. Para terminar, os Incas foram dizimados pelos espanhóis liderados por Francisco Pizarro em 1532, torando o Peru uma das colônias espanholas (sim, euq ueria falar bem mais, mas o espaço quase não tá dando e deve ter gente dormindo já com a aula de história).

Para quem pretende ir, para chegar a Macu Picchu, pode-se ir de trem (precisa comprar a passagem em Cusco e tomar o trem em Poroy, uma cidadezinha nos arredores. A viage demora 3 horas e tem uma parada em Ollantaytambo (45 km de Cusco, metade do caminho) até Águas Calientes, uma cidade situada na base de Machu Picchu, aonde você pode pegar um ônibus que sobe a montanha até a entrada da cidade.

Para entrar em Machu Picchu é preciso comprar um ingresso vendido em Cusco ou em Águas Calientes pela secretaria de turismo. Quem tiver [muito] fôlego pode optar também pela trilha Inca, caminho que os Incas faziam para chegar à cidade. A trilha percorre 40 quilômetros em mata fechada, saindo de Ollantaytambo e chegando diretamente a Machu Picchu e tem duração de 4 dias e 3 noites de viagem à pé.

Próxima postagem, para finalizar: Linhas de Nazca e cemitério de Chauchilla.

Links interessantes:
http://www.discoverybrasil.com/guia_inca
http://pt.wikipedia.org/wiki/Machu_Picchu
http://www.machupicchu.com.br
http://www.historiadomundo.com.br/inca/religiao-inca
http://www.peru.com/preincas
http://www.isinet.com.br/culturaperuana/index.asp

terça-feira, 28 de julho de 2009

Peru - parte 1

Olá, crianças. Voltei de férias e vou aproveitar que viajei para um dos lugares mais fascinantes que já vi para falar desse país que tem uma cultura, ou culturas, fantástica. Estou falando do Peru, país que abrigou o império Inca entre os séculos XIII e XVI e hoje tem uma diversidade cultural absurda. Mas para isso não virar uma aula de história maçante, vou misturar um pouco da história com costumes locais e lugares que visitei. Como esse post ficou gigante, está dividido em partes.

Os viajantes, para registro, são eu e a Viviane, do bog http://vivi-japeta.blogspot.com. Ela também fez posts sobre a viagem, quem quiser ler mais, acesse lá. Passado o jabá, vamos hoje à primeira parte, seguindo o itinerário da nossa viagem, começando por Lima, a capital do Peru.

Não vou falar dos Incas agora, a cidade de Lima foi construída durante a ocupação espanhola, no final do império e quando os espanhóis já estavam dando um corre em todo mundo. Então deixo essa parte para a história de Cusco, que era a cidade central dos Incas.

Logo, ao desembarcar, já é possível notar um contraste social tão grande como no Brasil. A região central preserva prédios históricos e coloniais enquanto bairros como Miraflores e San Isidro ostentam uma arquitetura moderna e hotéis de luxo.

Mesmo no inverno, o clima não estava frio, mas é bom sempre levar uma jaqueta ou blusa na mochila, já haviam nos avisado que, como São Paulo, pode mudar de uma hora para outra. Mas por enquanto tudo certo e saímos pela manhã para andar sem rumo pela cidade. Como praticamente todas as cidades do Peru, Lima possui uma Plaza de armas, praça central e marco zero da cidade, fundada em 1535 por Francisco Pizarro, durante a ocupação espanhola que durou até o início do século XIX. Na Plaza de armas situam-se o palácio do governo, a catedral de Lima, o palácio do arcebispo, palácio municipal e o palácio da união.

Lima foi um centro comercial para os espanhóis e rota de comércio que ligava as cidades portuárias do pacífico. Por ser uma cidade litorânea, era alvo de ataques piratas constantemente, o que forçou os espanhóis a construírem um enorme muro ao seu redor, protegendo a praia. Hoje existem algumas ruínas desses muros que estão preservadas e cercadas por prédios e avenidas, mas é possível visitar algumas áreas protegidas. O porto original foi destruído junto com muito da arquitetura local em um terremoto no século XVII. O porto foi reconstruído, mas com um estilo totalmente novo.

Também pelo centro histórico passamos pelo Convento de São Francisco, que existe desde o século XVIII. O convento foi, durante muito tempo, lugar aonde os padres e pessoas de maior poder econômico sepultavam os mortos nas suas catacumbas numa época que a cidade ainda não possuía um cemitério. Há histórias que contam que estas catacumbas serviam como caminhos subterrâneos que ligavam o monastério à Catedral de Lima e outras igrejas. Interessante é ver que elas foram construídas também como abrigo em caso de terremotos, já que sua estrutura absorve a força do tremor de terra, não deixando a estrutura (e o convento em cima) desabar. Hoje estão abertas à visitação, a entrada custa 5 nuevos soles e o horário de visitação é das 7h às 11h e depois das 16h às 20h.

Miraflores, ao contrario do centro, é a parte contemporânea da cidade, com grandes hotéis, lojas e uma vista espetacular para o oceano pacífico. Quem quiser, pode voar de paraglider, saindo dos penhascos e sobrevoando o litoral. Não consegui porque já estava anoitecendo, mas para quem curte, é uma boa. O bairro também possui vários shoppings – incluindo o famoso Larcomar, um shopping aberto com vista para o pacífico. Quem gosta de um lugar bonito para fazer compras, é o lugar certo, mas o preço é inflacionado. Melhor mesmo é comprar nas feirinhas que ficam espalhadas pela cidade, onde é possível pechinchar.

Esse, aliás, é um costume em todos os lugares no Peru. Como poucas coisas possuem preços tabelados, ninguém nunca paga o preço inicial dos vendedores, que é feito para turistas. As vezes a negociação pode cair para menos da metade. Isso inclui táxis; como nenhum tem taxímetro, é preciso combinar o preço antes de entrar no carro (o primeiro valor que recebi para uma corrida era de 16 soles e o valor final ficou acordado em 8). A essa hora já estava começando a escurecer e lembram que o clima podia mudar rápido? Pois mudou. Então fique prevenido.

Uma dica importante para quem gosta de café. Misture água quente antes de tomar, o café deles vem super concentrado e mesmo assim não tem um gosto muito bom. Misturar com leite é uma boa.

Primeira parte da viagem é essa. A seguir, Cusco , o Vale Sagrado dos Incas, linhas de Nazca, lago Titicaca e Machu Picchu!

Para quem quiser saber mais, alguns links interessantes de Lima:

http://www.museocatacumbas.com/
http://www.arzobispadodelima.org/iglesias/catedral/index.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Plaza_Mayor,_Lima
http://www.larcomar.com/